domingo, abril 23, 2006

 

Com muita sorte

Uma pessoa de sorte.A vida é assim mesmo.Tem que arriscar Gisela Skeff ANNIE DUKE A americana Annie Duke largou o doutorado em Psicologia para fazer o que gosta. Hoje, ela ganha até US$ 150 mil por mês jogando pôquer cacife dela é maior que o seu
O esporte do momento já tem sua rainha. Aos 40 anos, Annie Duke, a Duquesa do Pôquer, é a mulher que melhor domina a técnica de transformar em sorte o que seria um jogo de azar. Em 2004, no World Series of Poker (o WSPO, mais importante torneio do mundo), ela desbancou nove figurinhas tarimbadas, entre elas seu irmão, e levou sozinha US$ 2 milhões. Annie começou jogando para pagar as prestações da casa própria. A cada mês, passa uma semana na estrada disputando torneios. E ainda encontra tempo para criar quatro filhos. Num mês bom, fatura US$ 150 mil. Em seu melhor dia levou para casa US$ 300 mil. No pior, perdeu US$ 110 mil.
Cabelos longos, que ora estão escuros, ora claros, sorriso largo, Annie costuma sentar sobre uma das pernas e joga sempre com um iPod, ouvindo da banda de rock Cake ao som country de Willie Nelson. Nascida no Estado americano de New Hampshire, filha de professores universitários que se conheceram jogando cartas, Annie formou-se em Psicologia e em Inglês. Dias antes de defender sua tese de doutorado desistiu da carreira acadêmica. Motivo: uma crise nervosa que a deixou no hospital por duas semanas.
'Estava lutando comigo mesma para seguir os passos dos meus pais, e não o que eu queria', diz. Annie conta que abandonou o doutorado e resolveu dar um tempo. Foi então que se casou com Ben Duke. 'Na época, não tínhamos dinheiro, nem sabíamos o que fazer. Eu vivia meio como Poliana, achando que algo de bom iria acontecer', afirma.
E aconteceu. A fada madrinha de Annie foi seu irmão mais velho, Howard Leterer, campeão do WSOP. Em 1992, enquanto o visitava em Las Vegas, ela entrou num cassino e saiu de lá com US$ 300 dólares. Foi o bastante para reavivar os tempos de infância, quando passava noites jogando com a família. E nunca mais parou. Na terceira gravidez, encarou um torneio com a avantajada barriga de oito meses. Ficou em 10o lugar entre 512 inscritos e deu à luz duas semanas depois. Com esse resultado, Annie se tornou a mulher mais bem colocada na história do WSOP. Mas seus filhos estão sempre em primeiro lugar. 'Se tivesse de escolher entre ir a um torneio de pôquer e a uma peça de um de meus filhos, não há dúvidas que iria ao teatro', diz.
ANNIE DUKE
Quem é elaUma das poucas mulheres profissionais de pôquer que ganham muito dinheiro. Em 2005, foram mais de US$ 3 milhões
Como ela viveSeparada, mora com os quatros filhos em uma mansão em Los Angeles O que ela faz, além de jogarConsultoria de empresa de softwares de pôquer e dá aulas para artistas
ÉPOCA - Por que você escolheu viver de pôquer?Annie Duke - Quando comecei, ainda não havia os jogos pela TV. As pessoas olhavam os jogadores como personagens de um submundo. Não percebiam que o jogo requer técnica, habilidade e pode ser uma boa opção de carreira. Eu mesma nunca tinha encarado o pôquer como uma possibilidade profissional. Meu irmão passou a viver do jogo dez anos antes de mim. Só comecei porque vi o sucesso dele. Foi ele quem me deu o empurrão inicial.
ÉPOCA - Você se arrisca fazendo apostas altas na vida ou apenas no jogo?Annie - Só na mesa de pôquer. Tenho quatro filhos para criar.
ÉPOCA - Como é o dia-a-dia de uma mãe que joga pôquer profissionalmente?Annie - Tenho os mesmos desafios que qualquer mulher que trabalha fora. Tento conciliar carreira e filhos da melhor maneira. É difícil para qualquer um.
ÉPOCA - Você costuma jogar com seus filhos?Annie - Pôquer? Nunca.
ÉPOCA - O pôquer virou um fenômeno mundial. Essa popularidade vai continuar aumentando, ou o jogo está vivendo seus 15 minutos de fama?Annie - A tendência é que fique cada vez mais popular. Antes de ser um sucesso na TV, milhares de americanos já jogavam pôquer. Era só uma questão de descobrir uma maneira de transmiti-lo de forma envolvente. Como pôquer é muito fácil de aprender, mas bastante difícil de dominar, será sempre atraente na TV.'Quando jogam com uma mulher, os homens costumam deixar as emoções falar mais alto. Nessas horas, uma mulher com as mesmas habilidades acaba ganhando mais dinheiro'
ÉPOCA - Você se considera uma típica jogadora de pôquer?Annie - Posso dizer que sou o oposto do jogador de pôquer médio. A maioria são jovens, solteiros, jogam por curtição e costumam ter poucas responsabilidades na vida. Eu sustento minha família, tenho quatro filhos para alimentar, cães para cuidar. Não posso estar sempre viajando, indo a todos os torneios. E também não jogo por prazer. Faço do pôquer um negócio, um jeito de ganhar a vida. Além disso, eu sou mulher - o que me torna automaticamente diferente da grande maioria, que é homem.
ÉPOCA - Como você se sente sendo uma mulher em um universo tão masculino? Já foi desrespeitada?Annie - O fato de ser a única mulher numa mesa nunca me intimidou. No começo da carreira, fui subvalorizada, mas nunca desanimei. Tampouco pensei em desistir. Eu gosto de vencer desafios. A melhor resposta que eu dava às pessoas que me desrespeitavam era vencer, vencer, vencer.

CASEIRAAnnie viaja pouco para cuidar dos filhos e dos cães
ÉPOCA - Em um mesa de jogo, há vantagens em ser mulher?Annie - Muitas. No pôquer, as decisões precisam ser racionais. Quando você age com a emoção, certamente terá escolhido o pior caminho. Quando jogam com uma mulher, os homens costumam deixar as emoções falar mais alto. Isso acontece porque alguns querem dormir com as mulheres da mesa. Outros fazem pouco-caso da inteligência feminina. Há quem fique bravo pelo fato de as mulheres ousarem invadir aquele espaço tão masculino e ainda tentar ganhar o dinheiro deles. Pensar em qualquer dessas coisas na hora do jogo faz com que os homens tomem decisões equivocadas. Nessas horas, uma mulher com as mesmas habilidades de um homem acaba ganhando mais dinheiro que ele. Depende de como a mulher usa isso a seu favor.
ÉPOCA - É importante saber quem será seu adversário?Annie - Fundamental. Mesmo que eu nunca tenha visto as pessoas que estão jogando comigo, posso aprender muito sobre elas após algumas rodadas. Tento conhecê-las obsevando seus tiques e a forma como jogam e se expressam.
ÉPOCA - Quais são os pré-requisitos para vencer uma partida?Annie - Conhecer os adversários é mais importante que qualquer técnica ou truque. Saber como eles pensam, quando costumam apostar ou blefar. Isso é o que importa.
ÉPOCA - O que você sente quando ganha?Annie - Alívio por ter terminado. Pôquer é bem cansativo! Para vencer um torneio, você tem de jogar durante vários dias. É sempre um alívio quando tudo termina.
ÉPOCA - Você tem alguma superstição?Annie - Nenhuma.
ÉPOCA - Qual é sua maior ambição?Annie - Criar meus filhos felizes, saudáveis e interessantes. Quero que eles possam pensar por si próprios e tenham coisas inteligentes a dizer.
ÉPOCA - Você se considera bonita? Mudaria alguma coisa em seu corpo?Annie - Há dias em que me acho linda. Em outros, não. Tenho 1,55 metro de altura e peso 56,5 quillos. Adoraria que minhas pernas fossem mais finas, mas isso é no mundo ideal. No real, o que posso fazer, e farei em breve, é uma tatuagem. Só não escolhi ainda o lugar.

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